A relação das quatro estações sob o olhar da Medicina Tradicional Chinesa e a Roda do Ano Celta
A relação das quatro estações sob o olhar da Medicina Tradicional Chinesa e a Roda do Ano Celta
As quatro estações no Hemisfério Sul:
Verão > crescimento
Outono > colheita
Inverno > armazenamento
Primavera > geração
A Roda do Ano Celta:
Litha
Lammas
Mabon
Samhain
Yule
Imbolc
Ostara
Beltane
Há de se convir que os chineses, desde a antiguidade, tinham um contato com a natureza de forma muito íntima, similar a como os druídas celtas tinham. A conexão com as estações do ano e suas características e particularidades, pode ser vista em práticas da Medicina Chinesa, principalmente na questão preventiva, nas quais eram observados os fatores patogênicos de cada estação, e antes de cada uma, já era feita uma preparação para a que iria chegar.
A Roda do Ano celta, popularizada por grupos de praticantes da Wicca na modernidade, também tinha o costume de acompanhar as estações do ano e todas as datas de transição dentro de um ciclo. As comemorações dos Sabaths, olhando de forma superficial, tinham suas cores, flores, comidas e símbolos típicos, trazendo a atmosfera evocada por cada data. O ciclo da Roda do Ano também acompanha o calendário agrícola, seguindo as estações de acordo com o momento de semeadura, plantio, colheita, e todos os passos para se produzir no campo. Mas além de seguir os ciclos da natureza para a agricultura, essas datas do calendário celta eram celebradas religiosamente, havendo um significado profundo em cada uma delas, relacionando a natureza com o mundo interior na vida de cada pessoa. E assim podemos dizer que os chineses fizeram também com as estações, porém, não de forma religiosa, mas com a conexão com o homem em si e em sua natureza e seu organismo por meio do cuidado com a saúde.
A Medicina Chinesa também foi xamânica em seus primórdios. A doença era vista como possessão por espíritos malignos. Os métodos de cura eram exorcismos, relembrando práticas religiosas daquele período. Mas com o tempo, esses tratamentos foram sofrendo alterações até chegar à medicina como se conhece hoje. Com o passar do tempo, com o surgimento da ciência e o viés racional e lógico, cartesiano, embasado em estatísticas e métodos, aquela medicina ancestral se perdeu, e foi sendo substituída pela medicina convencional ao redor do mundo, porém, na China, isso não aconteceu da mesma maneira. Lá no Oriente, a ancestralidade e a credibilidade na Medicina Tradicional não se perdeu, e sim teve um acréscimo complementar com a medicina Ocidental. E de fato, houve sim uma ocidentalização da Medicina Tradicional Chinesa para fins didáticos, e para se provar certas descobertas para a ciência global.
A filosofia, porém, sempre foi um fator de influẽncia para as teorias chinesas, e ela é que deu origem às teorias mais famosas que até hoje são usadas para diagnóstico energético de um indivíduo que será tratado. Dentre essas teorias, a do Yin e Yang é a principal, e a teoria dos 5 elementos e movimentos, é a segunda mais importante. Esta sim, tem uma subdivisão maior, em que as estações do ano são representadas. E a própria forma de tratar a saúde tem como base os ciclos da natureza, e isso mostra a noção de ciclicidade em tudo, inclusive no cuidado com a saúde.
Alimentos específicos usados de acordo com o clima; alimentos usados para evitar a penetração de fatores patogênicos no corpo; alimentos que equilibram o estado interno do organismo, fruto da interação com o ambiente e as mudanças climáticas; tudo isso e mais um pouco é abordado. Movimentos específicos para mover a energia vital, o Qi, somado às práticas de Acupuntura, Moxabustão e nutrição através da Dietoterapia e Fitoterapia, seria o tratamento completo para uma qualidade de vida e longevidade. A complexidade da Medicina Chinesa é um mistério ainda hoje. Mas muitos hábitos dos chineses, revelam o quanto temos a aprender como ocidentais, aprendizes de uma medicina energética. Alguns desses hábitos precisam ser adaptados para nossa realidade ocidental, principalmente se você mora em um lugar quente, e que nos pede um copo de água bem gelada, como aqui no Brasil em certas regiões. Os chineses condenam líquidos gelados para ingestão, pelo fato de desequilibrar os órgãos internos que participam da digestão, além de mudar a qualidade do Qi circulante com o fator “frio”.
Os 5 elementos vistos na Medicina Chinesa, são ligados a 5 estações: as 4 que conhecemos, mais uma quinta estação considerada um período de transição entre as estações maiores: a chamada Canícula. Contemplando as 4 principais, Verão, Outono, Inverno e Primavera, nesta ordem no hemisfério sul, seguindo o calendário gregoriano, podemos fazer um paralelo intuitivo desse ciclo com a Roda do Ano celta. Seguindo a ordem do hemisfério sul - pouco citada quando se fala da Wicca, pois é uma prática vinda de países do hemisfério norte - podemos ver um sentido maior nessa sequência e uma conexão maior com a natureza, respeitando os ciclos naturais e entrando em sintonia com o tempo terrestre. Essa sintonia pode ir a trazer um olhar diferente também para a saúde, vivendo cada estação com o que ela têm a oferecer e a nos ensinar.
A vivência da Roda do Ano, poderia ser comparada de alguma forma diferente, à vivência das estações dos 5 elementos da Medicina Tradicional Chinesa. A conexão com a natureza de maneira a adaptar-se às mudanças, é uma forma de manter o equilíbrio e de trazer a atenção para o corpo e suas emoções. A percepção do corpo é algo que na atualidade, nos falta, pois o ritmo intenso do mercado de trabalho e das grandes empresas, exige foco e desempenho do intelecto, deixando de dar atenção às necessidades corporais básicas dos indivíduos em sociedade. Em tempos onde “tempo é dinheiro”, a autopercepção se perdeu, e cada vez mais se tem menos tempo para pensar sobre si mesmo e sentir o seu próprio corpo em sua existência.
Talvez com um pouco de reconexão através dos recursos que a mãe Terra nos traz, podemos novamente sentir de novo nossas vidas pulsando em nossas veias. Este é um convite para vivenciar as estações, a perceber as sensações, a observar os ritmos internos, e a buscar uma integração com a natureza diariamente, na rotina, como um hábito a ser adquirido.
Segue a relação analógica, quase sincrônica das quatro estações e as comemorações da Roda do Ano. Lembrando que não é uma relação exata, pois a roda do ano se divide em 8 sabaths (festividades):
As quatro estações no Hemisfério Sul:
Verão - 21/22 de Dezembro > crescimento
Outono - 20/21 de Março > colheita
Inverno - 20/21 de Junho > armazenamento
Primavera - 22/23 de Setembro > geração
A Roda do Ano Celta:
Litha - 21 (20/23) de Dezembro - Solstício de Verão
Lammas - 2 de Fevereiro - Festa da Colheita
Mabon - 21 (20/23) de Março - Equinócio de Outono
Samhain - 1 de Maio - Ano Novo celta
Yule - 21 (20/23) de Junho - Solstício de Inverno
Imbolc - 1 de Agosto - Festa das Luzes
Ostara - 22/23 de Setembro - Equinócio de Primavera
Beltane - 31 de Outubro - Festa da Fertilidade
Os 5 elementos e as estações do ano na MTC
Fogo > Verão > vermelho > calor
Terra > Canícula (transição) > amarelo > umidade
Metal > Outono > branco > secura
Água > Inverno > preto > frio
Madeira > Primavera > verde > vento
Verão > Fogo > Litha e Lammas
Outono > Metal > Mabon e Samhain
Inverno > Água > Yule e Imbolc
Primavera > Madeira > Ostara e Beltane
O elemento TERRA estaria fora dessa divisão, pois ele representa a transição entre estações, e pelas datas, cada 2 Sabaths estariam dentro de uma estação. Além disso, a Medicina Tradicional Chinesa, o elemento Terra é um elemento central, sendo o ponto de equilíbrio e estabilidade, portanto, não se encaixa no ciclo das estações da mesma forma que as 4 estações principais.
Em outra analogia, o elemento Terra por si só já abrangeria a importância da terra, de forma literal, para a conexão do homem com a natureza, através dos ritos, da agricultura, e da alimentação.
Referências das imagens:
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=5719890034719146&id=277172235657647&set=a.325682644139939
https://acupunturatradicional.com.br/as-5-fases-ou-5-movimentos-wu-xing/
https://www.institutoconfucio.com.br/entendendo-a-medicina-tradicional-chinesa/
https://cultivandoharmonia.blogspot.com/2013/05/os-5-elementos-5-movimentos-wu-xing.html
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