Do alto padrão ao beabá - a inversão de hábitos


Do alto padrão ao beabá - a inversão de hábitos 🕗📉

28/01/2025


A que ponto chegamos com essa mania de parar de ligar para tudo, porque a vida se resume ao trabalho, ou à metas ? E onde chegaremos com a falta de atenção aos detalhes, às necessidades básicas do nosso corpo? É isso mesmo. Chegamos ao ponto de ter que relembrar conceitos BÁSICOS de estilo de vida. O que comemos, o que bebemos, tudo o que ingerimos; o que fazemos, nossas atividades, exercício em falta ou em excesso; sono. 


Parece até que voltamos ao jardim de infância. Como o ser humano tem a capacidade de parar de olhar para o básico para viver com saúde, ou o mínimo de saúde? Como o ser humano tem a capacidade de ignorar totalmente seu próprio corpo? Como se anulasse sua própria existência para dar lugar ao dinheiro, às ilusões, aos bens materiais efêmeros.


É realmente inacreditável.


A medicina do estilo de vida (MEV) tem ganhado força a cada dia, para relembrar aos que chegam pedindo ajuda, que a vida deve ser valorizada e que seu corpo é seu templo. Relembrar do que se deve fazer desde o zero. É como se as pessoas estivessem perdidas e capturadas pelo sistema do mundo. E precisam de um norte para as coisas mais básicas, como crianças aprendendo o “beabá”. 


Tudo isso pra mostrar como as coisas não vão bem.

O estilo de vida envolve TODOS os nossos hábitos. Não só os físicos, mas os mentais e espirituais. Coisas vêm à tona em certo momento da vida, para mostrar que não tem como viver do mesmo jeito tóxico para sempre. Há de fazer uma mudança. De hábitos, pensamentos, crenças, formas de viver.


Será que temos tempo suficiente para essa mudança?


Levando em consideração a ideia que já disse a respeito: a involução da sociedade; vemos os hábitos de vida piorando, pois são cada vez mais tóxicos para a saúde, e com isso, temos que retornar ao princípio para resgatar toda a bagunça que ficou. 


( A evolução trouxe coisas maravilhosas, mas a forma com que se usa o conhecimento é que determina o quanto as mudanças no mundo serão positivas ou não; ou o quanto os novos recursos tecnológicos serão verdadeiramente bem utilizados para o bem coletivo, ou não. )


Pode parecer que eu estou dizendo que “todo mundo” está nesse caminho, mas não é. Existem pessoas conscientes do seu estilo de vida e fizeram escolhas para ter uma vida mais saudável, e atingir longevidade. Mas essas pessoas são ainda um grupo seleto. A maioria está presa na roda de sansara do mundo corporativo ou do mercado de trabalho acelerado; ou simplesmente estão presos em perspectivas limitadas do mundo, se comparando, e por isso se martirizando, se autocriticando, buscando utopias e perfeições que não existem. A mente também é uma prisão. O mundo pode ser uma prisão. Mas se você souber surfar na onda, você vive no sistema, mas ele não vive dentro de você, porque você transcendeu o sistema, e só vive nele por necessidades básicas. A alma tem necessidades diferentes das desse mundo.


O alto padrão de uma pessoa que venceu na vida com seu trabalho, mas que sacrificou sua saúde para isso, terá muito mais traumas e gatilhos mentais ou emocionais do que uma pessoa que reduziu o ritmo quando realmente precisava. Porque a vida é movimento, não adianta parar. O que é melhor a se fazer, para o mundo não te engolir, é desacelerar por um tempo. Se voltar para o Yin, para depois retornar á ação, o Yang. 


Sejamos realistas: parar completamente, tem consequências ruins no mundo atual. Parar totalmente pode atrasar muita coisa. Mas também é importante olhar para essas pausas que a vida nos impõe. Também há pausas que nós fazemos que são necessárias. Mas ficar por muito tempo na pausa, pode prejudicar o caminho e gerar estagnação e procrastinação. Então manter o mínimo movimento, ou seja, a desaceleração, é justamente fazer, mas sem tanta intensidade. É fazer, mas não exagerar. É o fazer, mas devagar. Ou no seu ritmo.


Então voltando, quantas pessoas sabem lidar com essas desacelerações? Hoje, não muitas. Tirando as pessoas preguiçosas por natureza, ou que pensam muito e não agem; o ritmo do mundo acelerou, e muitos de nós não sabemos mais o que é descansar e inclusive há uma estranheza nisso. O básico que é o descanso, é substituído por preocupação de não estar produzindo. Daí começam as “amnésias dos bons hábitos”.


É uma inversão de condições. Você cresce no trabalho, fica muito bem de vida com seu emprego, ao mesmo tempo em que sua saúde vai pro espaço. A saúde tem sido inversamente proporcional ao sucesso no trabalho. E É CLARO QUE ESTOU GENERALIZANDO. Mas quem nunca se viu assim em algum momento, mesmo não sendo CLT ? Quem nunca se viu em algum momento preso à comparações e ansiedade de não ser suficiente ? Essas não são só questões de trabalhadores do mundo corporativo, são dores gerais, que praticamente todos têm em comum. As blogueiras da internet, são exemplo de modelo a se seguir para muitas meninas novas, e também mulheres adultas. Vejam que a ferida da insuficiência e baixa estima, é um problema global. Este é só um exemplo de como questões superficiais têm fundos mais profundos e enraizados, quase automatizados.


Voltando muito ao assunto inicial. Pode o ser humano ser capaz reverter seu estilo de vida defasado pelo ritmo do mundo? em toda sua naturalidade. A natureza também cobra. E a Terra só está aí, abrigando tudo isso. Reverter esse quadro não é fácil, mas não impossível. Só requer muita reforma e força de vontade, atenção aos detalhes, e autopercepção: consciência.


O caminho de volta ao simples, de volta ao princípio do ser humano em sua existência, do mundo dos sentidos, da conexão com a natureza, da conexão com o próprio corpo; isso tudo é que deve ser resgatado. E tenho certeza que seguindo cada passo, da melhor forma possível, não tem como não melhorar. As pessoas instruídas não terão a mínima dificuldade nisso. As menos instruídas podem aprender. E as pouco ou quase nada instruídas, essas precisam de muita ajuda para se reerguerem. E não estou só falando de pessoas não instruídas de locais remotos, roças, comunidades carentes; estou falando de pessoas ignorantes que não tem o mínimo de consciência. E ignorância não está só nas periferias, está também na elite, nas pessoas que vivem em uma bolha, e numa realidade pautada no status quo, e pautada em materialidade e apegos. Essas, precisam de uma grande mudança de paradigmas.


Oremos, vigiemos e orientemos. 


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